terça-feira, 19 de novembro de 2013

ESTRATÉGIA

há poucas pessoas a perceber a história dos horários de trabalho. eu comecei por ser uma dessas, sem limites no tempo de dedicação à profissão. tudo, e leia-se mesmo tudo, justificava as horas extra, o trabalho aos fins-de-semana, o adeus à família em prol de um ficheiro excel, o sorriso rasgado à porteira do escritório, quando tudo o resto se desmoronava fora daquelas quatro paredes. lembro-me de receber o telefonema com a notícia da minha avó-querida-Teresa ter morrido, cairem-me umas quantas lágrimas enquanto continuava o teste de auditoria que estava a fazer, secar o que restava e continuar. o importante era não parar. estava a 200km de distância de casa e voltar não me parecia sequer solução. não tinha carro, não tinha tempo, não tinha.. coração. e como existem pessoas que nos trazem os pés de volta à terra, como era o caso da minha chefe nessa altura, voltei à força de boleia e fiquei três dias em casa. foram dos três dias mais importantes que vivi até hoje. estar com a mãe e despedir-me da avó, estar com primos e relembrarmos os bons tempos passados em Sintra, com a avó-querida-Teresa a comprar o gelado das três cores da marca barata do Mini Preço, a beber chá todas as tardes, a dizer tudo sem filtro e com uma Graça superior à média das avós-queridas. e lembro-me de deixar à minha espera durante três horas que pareceram séculos, as pessoas que me eram mais próximas, tudo porque afinal tinha aparecido um pedido mais importante para fazer. mais importante do que quê? foi isto que vi toda a vida, foi isto que quis ser desde sempre. uma mulher de negócios, sem tempo para nada, a atender mil e duzentas chamadas em três minutos. show!

mas a vida mostra-nos, através de quem é diferente e nos descalça, que aquilo que a sociedade classifica de uhuh, muitas vezes é tão simplesmente a forma mais fácil de chegar ao limite, ao limite inferior da resistência humana. não é tanto o problema da vida nos ocupar 300% do nosso tempo, é a forma como esses 300% serão um dia espremidos em utilidade, amor aos outros e marca real na vida de terceiros. comecei a tentar sair da redoma onde me meti, para poder analisar o impacto que viver assim tinha na vida das pessoas à minha volta. quis avaliar os seus graus de felicidade, medir os seus níveis de libertação. e as conclusões foram extremas: quem escolhe viver dedicado totalmente à profissão, principalmente as mulheres, consegue tão somente acrescentar 7kgs de infelicidade por cada ano de vida.

quando conheci o B, andava com um horário de comover sardinhas: eram seis e meia e estava a pôr um pé no elevador a caminho de casa, eram sete e pouco e estávamos juntos na Missa, eram oito e pouco e estávamos a ir jantar e namorar, eram onze e muito e estava a deitar-me. depois tinha o dia das amigas, o dia da família, o dia de ir beber um copo à tarde: havia dias para tudo, viver tudo e fazer tudo. passado pouco tempo, cinco semanas parece-me, as coisas voltaram ao “normal”: saídas às oito da noite, às nove e às dez. as nossas conversas passaram a ser tidas à meia noite, quando o metro me deixava em casa para mergulhar diretamente na cama. os tempos de qualidade reduziram-se a um terço e os almoços à semana caíram no grupo das raridades. o conteúdo dessas conversas passou a ser baseado nos horários de trabalho e no dificíl que seria um dia, quando fossemos família. comecei, pouco a pouco e com toda a paciência dele, a mudar a maneira de olhar para a forma certa de dedicação profissional. comecei, pouco a pouco e com todo o amor dele, a mudar os meus projetos para o futuro. arrumei a ideia da mulher-de-negócios no baú das recordações para, um dia, mostrar às minhas filhas aquilo que eu não me orgulharia que elas viessem a ser. comecei a ser, verdadeiramente, normal.

estou agora com um horário de 9h-00h. consegui chegar ao pico daquilo que a sociedade classificaria com uma mulher útil. mas agora, vivo tudo isto com uma paz interior boa, mas boa. porque agora sei o que não quero. e sei por onde quero subir os próximos sete degraus positivos. só me falta encontrar o primeiro :)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Beleza interior e exterior


Vale muito a pena ir aqui e ver e ouvir uma entrevista feita à Miss Mundo 2013, que, além da beleza exterior, revela também beleza interior.
(entrevista em vídeo (1'30'') e por escrito)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

acreditaram que valerias ouro

in http://setegrausnegativos.blogspot.pt/


é como se fosse ontem. foi onde tudo começou. ia a caminho da praia grande na carrinha encarnada gigante com manas, primas e tia T. estávamos a passar um dias na serra de sintra, em casa da avó. ia perdida a olhar para as árvores de outono e decidi abrir a janela porque as curvas da serra deixavam-me a ver a dobrar. cabeça de fora e foi quando aconteceu: caí em mim. comecei a pensar no mundo, olhando-o de fora. como quem assiste a um filme. e tentei andar para trás, chegar a respostas de "quem foi o primeiro". o primeiro que por aqui andou e que tudo começou. o arquiteto da maravilha que era tudo aquilo. depois de um esforço real, não consegui. passei à pergunta seguinte, tentando imaginar como é que tudo seria se não houvesse mundo. mas isso implicava que tudo aquilo que conhecia e que tinha como certo, certíssimo, não existiria. nada, nada. a praia grande, a piriquita, os meus pais, os meus irmãos: nada, ninguém. a sensação de vazio começava a aterrar e a gelar-me. e foi quando me lembrei disso: o sítio onde, nos últimos 24 anos, marquei presença a cada domingo. tinha que existir alguém que me queria ali, alguém que me criara porque sim, sem complicações. para ser amada e para amar os que me fossem dados. alguém que me enviaria em viagem, esperando-me anos mais tarde com uma mochila cheia daquilo que foram os tempos passados por aqui. nessa noite, dormi descansada. não só por saber que este caminho era um enorme presentão, mas por saber de onde vinha e para onde iria. na mais pura liberdade dos filhos de Deus, subiria os sete degraus de mão dada a um Pai que agora sabia como meu.

e agora, passados alguns anos, vejo a cara de radiante dela ao saber que ele, de centímetros, está ali. está nela e com ela. está neles. e é deles. e porque sei que para ela, ele, de centímetros, é um dom. um tesouro daqueles irreplicáveis, por ser demasiado bom para ser verdade. e porque percebo que para ele, ser pai é mais do que uma eventualidade: é o resultado físico e visível de um amor maior, que vivem os dois. é a personificação desse amor, daqueles que queremos para toda a vida.

e agora, passados alguns anos, reconheço que a vida é vida desde antes sequer de o ser. e que é 300% vida desde o primeiríssimo momento da conceção de uma criança. não há idades, horas ou segundos. a lógica, neste caso, não é matemática: é de amor. se nos é dado, então venha a capacidade de reconhecer a maravilha desse bem. agradecer, agradecer. e agradecer. e amá-lo, sem regatear. ser, simplesmente, simples. simples é algo que deixámos de conseguir ser, num mundo em que tudo pretende facilitar-nos a vida. perdemos a capacidade de descomplicar e aceitar que a vida é boa e simples e que a liberdade serve para decidir com vista a um bem maior, sempre. sem altruísmos ou egoísmos. e simples são as vidas humanas, desde a sua conceção. e complicados somos nós que nos esquecemos que "cada criança que vem traz um pão debaixo do braço".


CAMINHADA PELA VIDA 5 de Outubro 2013 15h Marquês de Pombal - Praça do Rossio
e aproveitar, de sorrisão, a alegria dos 22ºC e de termos os nossos pais, que souberam dizer que sim e por isso estamos aqui, com capacidade para escrevermos a nossa própria história

domingo, 18 de agosto de 2013

A caríssima Judite e o pobre Lorenzo


Caríssima Judite,
 
Começo a acreditar que o comunismo é um vírus e que boa parte dos portugueses foram terrivelmente atacados.
A Judite, já se vê, também não escapou à praga.
Com que então só somos um país livre se formos todos pobres?

Ora vejamos que disse a caríssima Judite com as perguntas que fez:
- Que não se deve ser rico. É feio para com os outros.
- Que quem não se importa com esta primeira premissa e é rico não pode usar o seu dinheiro livremente. O seu dinheiro. Porque pode ofender os outros, os menos ricos, os remediados e os pobres.
- Que os ricos que possuam qualquer ligação a Portugal, por remota que seja, têm a obrigação moral de participar na recuperação financeira do país. Como é que a troika não pensou nisto? Genial.
- Que um miúdo com a minha idade não pode ter uma festa a celebrar o dom da sua vida da maneira como acha que deve ser celebrada. Mesmo que isso implique não roubar, não matar, não transgredir nenhuma lei. Porque miúdo que faz uma festa de 300 mil euros, em vez de uma celebração com um bolo de arroz de 3 euros e um fósforo num qualquer jardim público com meia dúzia de amigos, merece ser enxovalhado na televisão nacional
- Quem tem mais dinheiro do que os outros, não obstante tal dever-se ao facto de ter gerado alguma forma de riqueza para a sociedade e ter sido desta forma recompensado, deve-se sentir culpado e ter a consciência pesada por não ser pobrezinho, por não estar a viver num T1 arrendado sem elevador em Rio de Mouro, por não ter que ir ao minipreço e usar os cupões de descontos ou andar de autocarro, metro, ou até mesmo sentir-se culpado por não ter os pés calejados e os sapatos rotos de tanto andar a pé nos dias de greve.

Pois, caríssima Judite, as suas teorias têm um preço elevadíssimo: a própria liberdade e o direito à autodeterminação de uma Pessoa. E já foram testadas na União Soviética, como devia saber. O resultado não foi positivo. Aliás, também queriam fazer o mesmo em Portugal...mas bons e ricos homens não deixaram que tal acontecesse!

Seguindo a sua linha de pensamento, caríssima Judite, para quê que vai de férias para o Algarve, podendo usufruir das praias de Carcavelos, da Parede, do Estoril..? Não acha ofensivo para todos aqueles que ganham o seu bronze nas paragens de autocarro? Em quê que fica a sua "obrigação moral"?

Talvez no esforço por um exercício mais cuidado e digno da sua profissão?

E, já agora, a caríssima Judite é com certeza mais rica que eu. Se estiver de boa vontade em partilhar a sua riqueza comigo e com mais uns quantos, julgo que nenhum de nós se importará.

Catarina Nicolau Campos

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Acabei o curso de medicina

 
 


e tenho que fazer um relatório final. Trata-se, basicamente, de resumir em oito páginas, com tipo de letra arial, tamanho doze, espaçamento dois, o percurso que fiz durante estes últimos anos. Passo os olhos pelos relatórios de colegas de anos passados em busca de alguma inspiração para esta árdua tarefa. E o que vejo é tão imenso quanto minucioso, tão rigoroso quando poético, tão adulador quanto inspirador que só me apetece escrever assim:
‘No dia dez de maio do ano de dois mil e treze, às doze horas e quarenta e dois minutos, ao décimo terceiro dia do meu estágio de pediatria no hospital dona estefânia, fui ao bar e pedi uma sandes de leitão. Apesar de se encontrar ligeiramente gordurosa e de lhe faltar uma folhinha de alface, esta situação foi colmatada pelo facto de ter sido prontamente atendida por uma senhora extremamente simpática que proferiu um rol de palavras agradáveis que passarei a citar tal e qual foram verbalizadas uma vez que, como boa estagiária, as registei cuidadosamente no meu caderno:

1.      Bom dia doutora.
2.      O que vai ser hoje?
3.      Lurdes, sai sandocha de leitão
4.      Quer que corte ao meio?
5.      É para levar ou comer já?
6.      São dois euros, por favor
7.      Paga na caixa, está bem?
8.      Próximo!

Posto isto, encaminhei-me para uma mesa e sentei-me de fronte da televisão onde passava um programa sobre o tigre da sibéria. Do programa em questão, recordo-me apenas vagamente porque a verdade é que, nesse momento, eu já estava de tal forma alheada na envolvência da contemplação do sucedido que, à terceira dentada, não consegui conter a emoção e derramei lágrimas no pires da sandes, ensopando todo o guardanapo de papel que o cobria. O que tinha significado todo aquele episódio afinal? Uma ida à cafetaria que me parecia aterradoramente simples, rotineira e monótona revestia-se agora de um significado imenso: a sandes gordurosa era para mim a imagem do doente enfermo; a senhora da cafetaria era a lembrança da vertente humanista que nunca deveria descurar na minha prática médica. E eu: a doutora kika. Nada mais que uma simples jovem médica comendo a sua sandes de leitão! Não consigo exprimir, dentro do limite de páginas deste relatório, o significado deste episódio bem como todos os sentimentos que ele me causou. Neste momento as recordações a traduzirem-se por palavras, linha após linha, são tão intensas que não chega a fazer sentido escrevê-las com letra doze e espaçamento dois. Tudo isto deveria estar apertadinho, apertadinho…, como ficou o meu coração…! Porém, confesso que me ajuda escrevê-las a tipo de letra arial, uma vez que esta é uma letra fria e impessoal. Neste ponto, não posso deixar de louvar a alma perspicaz que se decidiu por este estilo de formatação. A letra arial, ajuda a distanciar-me dos acontecimentos, a respirar fundo e a manter a calma; ajuda-me a consolidar parte dos conhecimentos que adquiri ao fim de seis anos de licenciatura: a transferência e a contra-transferência na relação médico-doente. Que deve ser garantido um distanciamento terapêutico sem nos deixarmos de envolver. Sobre isto que estudei tão bem (porque o meu percurso académico foi pautado pela organização e eficácia) podia escrever cem páginas, mas de tanto estudá-las também aprendi a resumi-las numa palavra. E a palavra é só uma: amor.’
Desculpem-me tanto disparate. Não se preocupem. Não escrevi nada disto, nunca tive visões deste calibre nem, tampouco, me lembro de alguma vez comer uma sandes de leitão na vida.
A única coisa real é que, finalmente, acabei este curso interminável. E isso é mesmo muito bom.
 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O que é a felicidade?







Interessante a definição de felicidade de Bento Amaral, que ficou tetraplégico aos 25 anos, e que acaba de escrever um livro cujo título é "SobreViver". 

Vale a pena ver e ouvir aqui.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A mulher Holmes Place

O principal problema eram os seus repentes.

Por exemplo se, de repente, lhe desse para sair dali, era capaz de deixar tudo para trás: o plano, o livro, a música, a conversa; desaparecia, voava, como se não houvesse amanhã, como se tivesse que acontecer tudo nesse dia, como se obedecesse a uma qualquer força dentro dela que a obrigava a ir. Ela era simplesmente o verbo ir. Não havia como prendê-la e ele sabia disso. Nesses primeiros meses de encantamento, era precisamente esse o ingrediente principal que nutria aquela paixão: a sua forma inesperada de ser; o impulso de criança que a levava a chapinhar no lago do jardim onde passeavam; os seus ímpetos de afecto que a faziam percorrer os quilómetros que fossem precisos só para o ver – surpresa!; os súbitos convites para almoçar, lanchar, jantar, cear – surpresa, surpresa, surpresa!.
Ele sempre soube que ela era assim. Afinal, no dia em que se deixou apaixonar, tinha gostado tanto dela quanto dos seus repentes. Foi na sua primeira aula de RPM, no Holmes Place. Que belo prenúncio – pensava agora.
Pegou no folheto do ginásio, lembrança do destino que o tinha levado até ela e que, desde então, guardava na gaveta. Desdobrou-o e leu: ‘sem criar risco de lesões, o RPM é um exercício sem impacto, divertido que lhe irá criar uma fantástica sensação de bem estar’. Sim, sim, sim, sem impacto hoje, divertido agora, com uma fantástica sensação de bem estar de repente… hoje, agora, de repente...

Foi então que, no impulso mais prudente do mundo, decidiu pô-la a andar em dois segundos. Surpresa!
 
 Imagem retirada do filme To The Wonder de Terrence Malick


 

domingo, 19 de maio de 2013






Haverá coisa mais simples que uma pomba branca carregando no seu bico um raminho verde? Pousou-se-lhe no ombro uma pomba branca e tamanha irreverência e invasão de privacidade só podia ter resultado numa conversa mais ou menos assim: para os que não querem complicar a sua própria existência, tu existes e és uma pequenina pomba branca. Mas depois há realidades indubitáveis que só eu sou capaz de conhecer e que não acontecem quando pousas num ramo ou num beiral: há o ver-te, o tocar-te, o mexer-te, como eu te vejo, te toco e te mexo; são os sentidos que chegam até mim que me fazem intuir a perfeição e a finalidade com que foste criada. E é nessa sintonia que agora crio contigo e com a natureza (porque no meu ombro vieste pousar – sussurrou-lhe), que me apercebo que tens uma significação para além de teres uma existência.



E, decida, sacudiu-a.
Enquanto observava a pomba a afastar-se no céu pensava para si: é preciso não deixar de procurar a profundidade nas coisas simples. Mas começar a falar com pombas já me parece um pouco demais…
Em escassos segundos, deixou de conseguir vê-la. Por momentos sentiu-se quase perdida, quase esmagada, não fosse a imensidão do azul do céu - que lhe deixava um vazio maior no peito do que no ombro - fazê-la recordar-se do que dizia o autor de outra pomba branca e que a ajudava tantas vezes a simplificar-se: quando não tenho azul, ponho vermelho… E sorriu.









sexta-feira, 10 de maio de 2013

A mulher Massimo Dutti

- Era um galão e uma torrada de pão-de-cereais, por favor.

E naquele galão começavam as verdades. Porque ela não era mulher de metades: há muito tempo que pedia um galão decidido, em lugar de uma meia-de-leite, mais fraca, indecisa e incerta. Depois vinha o pão escuro – que é um pão complexo com menor índice glicémico e cujos cereais não foram tão bem processados comparativamente ao pão branco. O pão branco entra pela boca, chega ao estômago, faz picos de insulina brutais e daí a uma hora faz-nos ter fome outra vez. Pode ser bonito, mas não sacia. O pão de cereais é diferente, é feio, mas é melhor. Admitamos: custa mais a dizer (pão-de-ce-re-ais), nem sempre há (menina, só temos carcaça), às vezes até corremos o risco de fazerem troça de nós (esta agora quer pão-de-cereais porque deve ter a mania que é fina, mas por que raio é que não pede um pão normal?). Leva mais tempo a digerir, mas é mais nutritivo, mais saudável e arranca a fome pela raiz.
Ela era assim como o pão e o galão habituais. E, embora nunca tivesse gostado de tomar o pequeno-almoço fora, sabia, pela experiência, que ou saía de casa às 7h41 ou já ia apanhar o trânsito da vida dela!
Mas, na vida dessa mulher, antes da correria das 7h41, acontecia muita coisa. Gostava de preparar a roupa de véspera para que nada lhe escapasse. E estava sempre elegante, impecável; nos corredores do hospital chamavam-na: a Dra. Massimo Dutti. Ela sabia e ria-se.
Também era logo pela manhã que guardava um tempo especial para se tornar mais inteira. Gostava de sentar-se com um livro no colo, direccionava o coração e descobria Deus, descobrindo-se a si. Tinha posto um vaso de flores (eram violetas) na janela em frente ao sítio onde rezava. Assim, se lhe fugissem os sentidos, pouco mais à frente haviam de encontrar-se no essencial – na agressividade da cor escura das violetas - e percebia até que profundidade e negrume se pode tingir de roxo um coração. 
No resto do dia: tanta coisa. Gostava do que fazia e fazia-o bem feito. Mas também sabia que a vida não é só trabalho e que às 18h tinha que picar o ponto noutro sítio. Tirava-a do sério, mas nas alturas em que era mais difícil remar das obrigações profissionais para outros lagos, lembrava-se tantas vezes do recado que, um dia há muito tempo atrás, tinha recebido de alguém insuspeito:
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
      No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
          Brilha, porque alta vive  
E tirava-a do sério porque quando o recebeu pensou: sim sim, Ricardo Reis!, que cliché, e agora, não sabia porque é que o cliché lhe vinha tantas vezes à cabeça, em vez de coisas mais elevadas.
À noite, regava as violetas olhando pela janela e, nessa hora, era o negrume do céu que a fazia fechar os olhos pela força das vertigens. Quem disse que a oração do coração era algo complexo e acessível apenas a uns quantos iluminados? Aos homens e mulheres Massimo Dutti perfeitos, simétricos e privilegiados – mal sabem eles que ela desencanta as saias no baú poeirento da avó. Mal sabem eles que esses homens e mulheres não existem.
É que, na vida dessa mulher, a oração não podia ser mais simples:

por favor, faz-me cada dia mais inteira.


 

terça-feira, 7 de maio de 2013

Brazelton em Portugal

Hoje estive numa conferência fora de série, não fosse ele mesmo, o próprio Brazelton, nos seus 95 anos que está em Portugal.
Vejam só o Título deste encontro internacional: "Valuing Baby and Family Passion Towards a Science of Happiness", é ou não é, logo à partida um título feliz e inspirador?
Inspiradores foram também os oradores de hoje, não só o próprio Brazelton, mas também todos os outros conferencistas.
Alguns apontamentos (daqueles menos técnicos e mais práticos) que podem interessar a quem passa por aqui:
Segundo o Brazelton, as crianças não devem ver mais do que 1 hora (sim, leram bem, 1 hora) de TV por dia, e depois dessa hora de TV, os pais devem sentar-se com elas e perguntar o que estiveram a ver, o que acharam do que viram, and so on...
A escola de uma forma geral - e a portuguesa não foge à regra - não está pensada para as famílias, na medida em que exclui os pais dos processos educativos... centra-se demasiado na criança e "esquece-se" de fazer dos pais seus aliados (Big "mustake":).
Deixou muitas mensagens, mas como mãe e como técnica da área, esta marcou-me especialmente:
"Que futuro querem que tenham as nossas crianças, o nosso mundo, quando aquelas que são diferentes (patologias/atrasos/etc) não são tratadas como mais valias mas como empecilhos?" - foi qualquer coisa assim :) Gostei, Parabéns à organização, amanhã lá estarei, esperando não apanhar tanto trânsito para a ponte como hoje, que isto esta manhã estava COMPLICADO na 25 de abril...

terça-feira, 30 de abril de 2013

Falemos de Turbantes.



Este fim-de-semana fui ao Creative and Flea Market no Mercado da Ribeira, onde vi coisas muito giras!

Entre elas vi, e comprei!, este turbante da Madame Turbante:


Acho MESMO giro! Agora só me falta a lata para o usar...
Aqui estão algumas fotografias do LOOKBOOK.nu para ver se me (vos) inspiro!













Porque é que elas podem usar e eu não? Snif!

sábado, 20 de abril de 2013

Para onde foram as cores?

Vou a descer a rua e penso tantas vezes nisso. Parece que está tudo mal porque nada daquilo é suposto. Que é como se fosse tudo estranhamente desadequado, ligeiramente amargo e que, por mais borboletas que adornem as paredes, por mais enfeites nos bolso das batas, por mais palhaços a deambular pelos corredores… não me enganam: tudo isso é para nos distrair a nós, adultos. Porque aqueles miúdos simplesmente não deviam estar ali.
 
Não é suposto… um hospital pediátrico.
Vai-me desculpar, eu sei que para além de ser cliché ainda deve estar a pensar qualquer coisa como: “ai filha, venho eu para aqui ler coisas agradáveis e agora resolve-me dizer que descobriu hoje como sofrem as criancinhas”. Caro leitor: desculpe. Eu estive mesmo para não vir porque tem-me custado muito. Vir aqui implica alguma imaginação, implica algum esforço da minha parte por lhe contar coisas giras, divertidas, que descansem a sua cabeça. Mas é que ultimamente ando por ali a ver borboletas a mais nas paredes. Ou simplesmente vagueio por ali (sim é isso, parece que vagueio). Vagueia o meu corpo, porque a cabeça nunca esteve tão focada. E é inédito: esgoto-me na doença, no mecanismo, nos factores de risco, nas manifestações clínicas, na fisiopatologia, na molécula, no prognóstico, no tratamento. Em suma, em tudo, menos no miúdo. Sobra-me pouco. Sugam-me a imaginação, as forças e saio de lá esganada de fome ou de qualquer coisa que me parece ser fome.
Acima de tudo, tem sido perceber o que eles acham de estar ali: a Rosa, pequenita, que entra na sala de espera onde as luzes estão acidentalmente apagadas e pergunta à mãe: “Mamã, para onde foram as cores?”
Ou o Filipe, no internamento, em calções de pijama e estetoscópio ao peito, que espreita para um quarto da enfermaria onde estamos (um bando de pseudo-médicos) a observar um doente e pergunta do alto dos seus 4 anos: “há aqui alguém doente? É que eu sou um médico.” Afinal, que sítio melhor para brincar aos médicos que no próprio hospital? Doutor, não se preocupe, tudo controlado por aqui.
A Rita: “mostras-me o teu sinal na barriga?”. “Não, porque tenho cócegas”. “Mas eu não faço cócegas, prometo”. “Nããããooooooo….!”. E pronto.
Ou a Jacinta, que morreu ali às 22h30 do dia 20 de Fevereiro de 1920. “Se os homens soubessem o que é a eternidade, faziam tudo para mudar de vida”.

Se os homens soubessem o que é a eternidade não tinham medo de entrar num hospital pediátrico. Não inventavam palhaços para se distrair. Nem desenhavam borboletas nos corredores (a fingir que voam, a fingir que são livres). Se o leitor e eu soubéssemos... ali, naquelas paredes, a descer a rua, em qualquer sítio.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Será...?



Foi com agrado e surpresa que recebi a medida anunciada pelo nosso Ministro da Solidariedade e da Segurança Social no passado dia 3 de Abril. Anuncia o Sr. Ministro que o estado, recorrendo a fundos comunitários comparticipará tempo que os pais trabalhadores reduzam à sua carga laboral, em prol da família.

Na prática ninguém percebeu como se vai processar e quem serão os felizes contemplados, mas esperamos todos sinceramente que esta medida queira abranger todos os pais portugueses preocupados em Educar verdadeiramente os seus filhos e não deixá-los ao cuidado de outras pessoas ou instituições grande parte das horas do dia, como muitos são “obrigados” a fazer, pois idealmente os pais devem ser efectivamente os Educadores por excelência dos filhos, cabendo à escola e outras instituições cooperar com os mesmos e não substituí-los nesta sua importante missão.

 Esperamos que possam fazer esta opção todos os pais que entendam que é muito mais importante uma hora na vida de um filho do que mais uma hora no local de trabalho. Esperamos sinceramente que esta medida não contemple apenas as famílias com baixos rendimentos, mas todas as famílias que o desejem.

 A ser verdade, pela primeira vez este governo resolve apoiar as famílias, incindindo também num grave problema do nosso país, tão pouco falado, tão grave e tão esquecido: a baixa taxa de natalidade. Portugal enfrenta já de há alguns anos a esta parte e com tendência a agravar, um verdadeiro Inverno Demográfico. Certamente muitos são os factores que levam os Portugueses a ter menos filhos, mas sem dúvida que a falta de apoios do estado às famílias e aos nascimentos está no “Top” dessa lista. Nos últimos anos o Governo tem cortado com todas as formas possíveis e imagináveis de apoio à natalidade e à Família. Muitas famílias viram desaparecer o abono dos seus filhos ou reduzir drasticamente o valor do mesmo, as licenças de maternidade deixaram de contemplar os subsídios de natal e férias no seu cálculo e por isso reduziram o seu valor, cada filho não é contabilizado como um, contando como “uma percentagem de pessoa” o que atinge todas as famílias e principalmente as famílias numerosas sendo que muitas destas vivem uma “pobreza mascarada” visto não ser tido em conta o número de elementos efectivos debaixo do mesmo tecto.

Quando os Pais se sentem competentes na sua função Parental, quando há equílibrio e estabilidade Familiar e os pais não carregam em si diariamente o peso de não estarem o tempo suficiente com os filhos ou de não lhes darem o devido acompanhamento, cresce a tão falada auto-estima, que no fundo representa uma capacidade de viver melhor, trabalhar melhor, de forma mais competente. Sentindo-se mais capaz como pai/mãe, qualquer ser humano se sente mais confiante de uma forma geral, o que obviamente se traduzirá no seu trabalho e consequentemente na produtividade do mesmo. Falamos pois da velha máxima que defende que quantidade nem sempre é qualidade, e neste caso acreditamos que menos horas de trabalho se podem traduzir numa maior produtividade dada a satisfação pessoal em poder acompanhar os filhos que nos são confiados.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Bem-vinda, Primavera da minha vida!

 

E parece que finalmente chegou a Primavera!!!
Eu gosto muito do Outono (aqui que ninguém nos ouve, é a minha estação preferida!). Gosto de usar botas, de pisar as folhas secas que preenchem o chão e ouvir "crack", gosto dos vários tons de castanho que pintalgam as ruas da capital. Gosto... Gosto muito!


Mas agora voltou a Primavera. E é a ela que temos de nos dedicar. E parece que trouxe consigo as cores, as flores, o sol, o calor, a boa disposição. A aparente vontade de trabalhar (as pessoas parecem mais felizes quando vem o sol e parece que estão com muita força a trabalhar mas, lá no fundo, lá no fundo, querem é ir para a praia e não têm vontade nenhuma de estar num escritório a fazer vinte mil trabalhos para a faculdade...uf!!)

Bem-vinda, amiga Primavera... Espero que venhas para ficar!
(e contigo voltei eu a este fantástico blogue. A faculdade consome-me e não tenho conseguido vir aqui tanto quanto queria!)




segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dream

 


"Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."
  
António Gedeão, Pedra Filosofal

terça-feira, 2 de abril de 2013

Amanhã.

Hoje foi um dia difícil. Amanhã será melhor.
in Lilly's Purple Plastic Purse, Kevin Henkes (o meu livro infantil preferido!)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Página em Branco.

Achas que é o fim do mundo. Porque é mesmo o fim do mundo.

De repente, cai-te o mundo aos pés, tudo tão inesperadamente. Tão inesperado que na verdade era bem esperado. Mas é curioso- mesmo o que é esperado pode ser uma surpresa, e das desagradáveis.

O mundo acabou e não sabes o que fazer. E agora? Esse teu mundo partiu-se aos bocadinhos, desfez-se por completo. Ainda pegas na supercola e te armas em heroína- "lutar até ao fim- vou colar isto tudo!" Mas começas a pensar melhor. Será que vale a pena gastar a supercola nesse mundo? Olha que ela ainda foi cara...

Não. Porque há coisas pelas quais não vale a pena lutar. E é mesmo uma pena. É uma pena porque te enganaste, e a culpa é tua e de mais ninguém. Não te preocupes, todos nós cometemos erros.

Pode-te custar horrores, mas o melhor mesmo é pegar na vassoura.

E já não é isso que interessa. O que interessa é o agora. O agora é uma página em branco.

E finalmente vais ter a oportunidade de pegar naquela caixa de lápis de cera que tinhas tão bem guardadinha naquele cantinho, e na caixa dos guache, e na caixa das aguarelas, e na caixa das canetas, e na caixa dos carimbos, e na caixa das canetas com cheiro, e nas esferográficas, e nas lapiseiras, e na tesoura- e fazer o que te der na real gana.

E começas a pintar, a desenhar, a rabiscar, a cortar, a colar, a coser, e de repente percebes.

Percebes que o projecto de vida que tinhas em mente já não vai acontecer- e não faz mal.

Percebes que tens uma família extraordinária que te adora.
Percebes que tens amigas e amigas e amigas que só te querem ajudar.
Percebes que tens viagens a chamar por ti.
Percebes que tens projectos para concretizar.

E percebes que afinal até vale a pena. Porque percebes o essencial do teu novo mundo: é Ele.
E desde que não te esqueças d'Ele, e o fizeres sempre com Ele em mente- tudo vai correr bem.

É mesmo mesmo pena. Mas não vale a pena. Mas Ele sim, Ele vale bem a pena.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Uma viagem para Roma, se faz favor

Saí às 7h25. O caminho de casa até ao metro são quatro minutos que, bem contados, dão para pensar em muita coisa. Na minha mão, o guarda-chuva, mas nesse dia estava sol; nos meus olhos, as olheiras de sempre devidamente camufladas; na minha cabeça, as notícias que acabara de ouvir na rádio: a greve do metro tinha sido desconvocada – boa!, já não ia demorar três horas e meia a chegar ao meu destino - a greve da TAP também foi cancelada – boa!, as minhas amigas que, em breve, partiriam para Roma para passar a Semana Santa, também não iriam demorar três dias e meio a lá chegar. E iam ver o Papa Francisco! Que sorte, o Papa Francisco… a amizade é “ um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem”… como não guardar todas as suas palavras! E que sorte puder ouvi-las de perto! Por mim, também ia com elas, mas duvido que o meu passe desse para chegar até lá.

Às 7h29 entro na estação. Quando passo pelas máquinas dos bilhetes sou interpelada por alguém:
- Psssttt, menina. Podia ajudar-me a comprar uma viagem para Roma, se faz favor?
E eu? Nada. Apenas silêncio e perplexidade como quem pensa “minha senhora, isso também eu queria, mas a máquina infelizmente não o permite. Resta-nos mandar lá o coração enquanto ouvimos o Papa pela televisão”.
- … Roma-Areeiro, menina!
Lá lhe comprei o bilhete.
Às 7h35 sentei-me no comboio. A senhora do bilhete estava à minha frente. Sorrimos. Quanto a ela não sei, mas quanto a mim… o que me fez sorrir não foi a coincidência dos lugares, nem tampouco os absurdos devaneios da minha imaginação. Foi ter a grande sorte de saber que, quando queremos, todos os caminhos vão dar a Roma.
 
 
 
 
 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Dia Mundial da Trissomia 21

Ontem, 21 de Março, foi o Dia Mundial da Trissomia 21.
 Lógico que parecendo-me muito bem que se lute pelos direitos das pessoas com trissomia 21, que se combata a discriminação contra estas pessoas, que haja um esforço no sentido de as incluir o melhor possível nas vivências da sociedade, me impressiona que se fale pouco de um direito básico de todas as pessoas e, por isso, também das pessoas com trissomia 21, que é o seu direito à vida! Até às 24 semanas de vida - sim, vida! - os bebés com trissomia 21 correm sérios perigos de perder esta vida, uma vez que a nossa legislação, neste caso (e noutros!) esquece que um dos seus objetivos é proteger os mais fracos e débeis e, até esta data, permite a morte do embrião. Desta discriminação pouco ou nada se fala. Incrível a incoerência que é falar-se tanto em tolerância, em aceitar o outro com as suas diferenças, como ele é, com as suas qualidades e defeitos, todos diferentes, todos iguais... e como na prática há pouca aplicação.

Barbarella- O Novo Blow Dry Bar

O conceito já existe "lá fora", mas só agora chegou a Lisboa, pelas mãos de Antony Millard: o primeiro blow-dry bar de Portugal.

O melhor mesmo é deixá-los explicar:


"Barbarella é o primeiro Blow dry bar de Portugal. Com a assinatura de Antony Millard, proprietário do salão Facto BA, este espaço é um paraíso para todas as raparigas e mulheres! Além da lavagem, tratamento e penteados dos teus cabelos, a Barbarella também é um Essie Nail Bar, onde podes arranjar as tuas unhas. E como o próprio nome indica...Barbarella é um bar! A primeira bebida é oferta, e poderás escolher entre sumos, vinho, chás. A partir de agora, não há desculpa para não te sentires fantástica todos os dias!"


É no Largo da Trindade, alí no Chiado, nº15.

1. Escolhe-se do menu fixo (afinal de contas é um bar!), e depois o "blow out" que se quer, do menu que vai mudando de estação para estação.

THE MENU

BARBARELLA Blow Out
Com lavagem, massagem, secagem
e penteado.
18€

Red Carpet please
Tratamento Oil Miracle que inclui
lavagem, massagem, tratamento,
secagem e penteado.
22€

Boyfriend is Waiting
Sem lavagem, apenas penteado
e styling.*
14€


2. Também há manicure! O Essie Nail Bar (como indica o nome) só trabalha com os produtos Essie.

ESSIE Nail Bar 
Super Star manicure com assinatura Essie. Todos os produtos utilizados, desde vernizes, base coat, top coat, removedor, tudo Essie.
12€

Super Star manicure com qualquer serviço
de Blow Dry Bar 8€*


3. Para as marcações feitas de 2ª-5ª antes do meio dia oferecem o pequeno-almoço. De resto, a primeira bebida é sempre oferta! (WHAT???)

Bom dia, Alegria! ^^

quinta-feira, 21 de março de 2013

Fatos-de-banho!

Não me venham cá com tretas- sei muito bem que já andam todas à coca....



Eu não faço de todo guerra ao biquini- acho que quem tem figura para isso, e se sente à vontade, faz muito bem em usar biquini. Agora- não haja dúvida de que o fato-de-banho voltou à moda, é bem mais elegante (é sim senhora, não inventem), e (por vezes!) bem menos revelador. Temos é um piqueno grande problema: onde comprar? É muito mais difícil encontrar um fato-de-banho giro que encontrar um biquini giro.

Portanto aqui ficam algumas sugestões:

Oysho Verde 27,99€                                                                            H&M Preto 19,95€





Topshop Encarnado/Cor-de-rosa 42€                                                      Topshop Verde Esmeralda 42€





















Asos Preto 38.96€                                                                               Asos Encarnado 45.45€


segunda-feira, 18 de março de 2013

E não é que...

...o meu jogador de futebol preferido é o mesmo do Papa Francisco!!! Chama-se Beto Acosta, também conhecido como "El Matador" e foi um ídolo do San Lorenzo (clube de Almagro, região onde vivia o Santo Padre) e do meu Sporting!

Sim, isto não é minimamente interessante, mas achei uma coincidência muito engraçada


Nesta fotografia, Bergoglio entrega a Acosta um prémio depois de o jogador se retirar do clube. Aquando da entrega, disse-lhe: "Porque acabaste a carreira? Tens de voltar, vamos precisar dos teus golos!"

Este fim de semana, o San Lorenzo entrou em campo com uma pequena fotografia do Papa Francisco estampada na camisola e com a seguinte frase: "Papa Francisco, rezamos por si. Reze também por nós!" O clube já não ganhava há alguns jogos e o Santo Padre lá terá outros assuntos mais importantes com que se preocupar...mas o certo é que o clube ganhou e deve ter dado uma "pequena grande alegria" ao seu sócio mais famoso!


sábado, 16 de março de 2013

Durante um tempo existimos


até que chega o dia, não sabemos quando nem como, em que acabamos de existir. Deixamos por cá o que foi nosso: os livros, as roupas, a bimby, a caneta preferida, os brincos da tetra-avó que tivemos tanto medo de perder… tudo o que tivemos fica por cá e só levamos o que fomos.

Ora no que diz respeito a pertences terrenos, o Sr. Mota tinha muitas coisas e, aparentemente também tinha saúde para dar e para vender até ao dia em que decidiu ir à farmácia e medir a tensão arterial. Nesse dia, veio à consulta muito angustiado com os resultados.
Sr. Mota, tem cuidado com a sua alimentação? – perguntei-lhe.
Doutora: impecável. São hortaliças e grelhados. Zero doces. Nem tempero a alface. Sempre sopa. Zero gorduras. Pão integral. Tudo sem sal. Fiambre de perú. Meia peça de fruta. Meia batata cozida. Meia colher de arroz.
E eu, meia abananada, jamais lhe poderia dizer, mas pensei que também nós vamos acabar por deixar por cá a nossa saúde: os rins maravilhosos porque toda a vida bebemos muita água; a coluna alinhada porque toda a vida endireitamos as costas; os pulmões perfeitamente arejados porque, por amor à vida, deixamos de fumar. Enfim, coisas que um médico deve evitar pensar para não se frustrar.
E porque nem só de batatas vive o homem: e álcool, bebe?
Não doutora, bebo muita água. Duas vezes ao dia, a seguir às refeições, ponho um bocadinho de uísque num copo e depois encho o resto com água. Doutora, água faz bem, não faz?
Acenei que sim com a cabeça, fiz o ar mais sério que consegui e ficámos conversados. Passamos então à parte da observação que, para além de permitir conhecer muitas coisas do estado geral do doente, também é um excelente instrumento de mimo: medir a tensão é como se fosse um beijinho, auscultar o coração e os pulmões é quase igual a dar-lhes um abraço. E enquanto se mima vão-se deixando cair as perguntas mais difíceis:
Então e o Sr. Mota teve uma boa infância? Considera ter tido uma boa relação com os seus pais?
Doutora, muito boa! Eramos muito unidos. Até já comprei uma campa em frente à deles ali no Cemitério de Benfica para ficarmos juntos para sempre.
É que a história é sempre a mesma: durante um tempo existimos, mas depois há um dia, não sabemos quando nem como, em que deixamos se existir. Tem toda a razão quando diz que é para sempre, mas o que é que é para sempre, que parte de nós verdadeiramente nunca acaba? Que tesouros devemos acumular nesta vida, entre rins, bimbys e afins? A que é que temos que aspirar para além do metro quadrado no Cemitério de Benfica?
Sr. Mota: um lugar debaixo da terra ou um lugar no alto dos Céus?


 
 
 

quarta-feira, 13 de março de 2013

Foodie: Restaurante Tomo

Este é o restaurante Tomo: http://www.tomo.pt/.

http://de.123rf.com/


É aconselhado cinquenta mil vezes na Time-Out. (Literalmente em todas as edições...)
Tanto insistiram tanto insistiram que eu achei "vá, vamos lá dar-lhe uma segunda oportunidade".
Achei uma óptima oportunidade para fazer o primeiro post "Foodie".
E lá fomos, a minha Mãe e eu. Pois.

Tipo: Japonês.

Pedi: Um combinado de sushi e sashimi (um bocadinho de tudo portanto).

Serviço: Mau. Não há paciência quando parece que nos estão a fazer um favor.

Ambiente: Era uma antiga cervejaria. Continua a ter ambiente de cervejaria, mas serve sushi.

Variedade: Uma extraordinária e infinita variedade. Tanta tanta que até irrita. Não há coisa pior que me possam fazer que dar-me um daqueles menus de plástico pegajosos com listas e listas infindáveis de coisas. É só frustrante!!

Localização: Algés. De fácil acesso.

Quantidades: No mundo do sushi isto é difícil de avaliar, é o que é! Normal.

Preço: Bastante caro. Não serve para se ir almoçar. Com "caro" digo que pagamos mais do que o almoço valia.

Repetir? Não.

Vá, acho que estou a ser mazinha. Eis a minha teoria: o Tomo é um restaurante genuinamente japonês (no que toca ao que serve, porque o sítio em si...). E nós estamos mal habituados. Habituamo-nos ao sushi que achamos ser o original, quando de facto é sushi de fusão. Portanto quando nos espetam o verdadeiro sushi à frente, a coisa nem sempre corre bem. Mas foi verdadeiramente uma desilusão; o restaurante perdi imenso com a falta de ambiente e o mau serviço.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Sofrer por antecipação

Há um ano deu-lhe um anel como quem diz sou teu. E ela, sem hesitar, respondeu claro que sim, porque há nove anos que esperava dizer sim.

Não há dúvida de que querem ser um para o outro e é a certeza disso que os faz muito felizes e capazes de enfrentar qualquer dificuldade. São muito iguais em certas coisas, nas fundamentais, nos ideais. Mas nas outras é tudo diferente: nos passeios, nas cores, nos filmes, nas pipocas - ela é mais doce, ele é mais salgado; na maneira de agir - ele é mais do tipo preto no branco, enquanto, para ela, há toda uma incrível gama de cinzentos para contemplar.

Mas sempre tiveram um problema. Enquanto ela vive no seu jardim na estratosfera até cair nos acontecimentos, ele vive nos factos com um realismo notável reagindo a tudo por antecipação.

Então, três dias antes de ela partir, ele já deprimiu. Em vez de aproveitar plenamente todos os minutos para estar com ela, dá-lhe para a melancolia e, porque nunca perde a compostura, justifica-se com estas pérolas: a situação dos que ficam é sempre mais triste do que a dos que partem. Partir é um movimento que dissipa, e nada distrai as pessoas que ficam.

Ela exprime o seu lado mais sensato ao sugerir-lhe: pensa no “agora” sem te lembrares do “ontem”, que já passou, e sem te preocupares com o “amanhã”, que não sabes se chegará para ti e diz-lhe isto com a convicção de quem chuta para o lado o que lhe apetece sentir:
Partir!
Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz...

É uma arte - ensinaram-lhe desde cedo - a de chutar as coisas bonitas, mas que não têm sentido. É a arte de saber pôr rédeas no coração e de sermos donos dos nossos pensamentos, desejos e anseios. Por isso, há coisas que se chutam, não vamos nós senti-las, muito menos, dizê-las. E assim, à força de chutar, no momento da verdade:
Ainda não foste, mas já estou com saudades – disse ele.
É só uma semana, meu amor.
 
 
 
 

Do Amor e da dor

No ocaso da vida seremos julgados pelo amor, diz-nos S. João da Cruz.

No dia em que fazia um mês do seu aniversário, o Padre José Afonso partiu.
Se, por um lado, a certeza de que Deus é Pai nos anima, conforta e ampara, por outro a ausência humana inesperada deixa-nos em choque, numa dor silenciosa.
Era um amigo. De sempre. Que acompanhava a tantos, e a nós também.
Que administrou os sacramentos ao meu avô paterno durante sete anos. Que administrou os mesmos sacramentos à minha tia, antes de morrer.
Que esteve presente, comovido, no nosso Matrimónio, cuja cerimónia concelebrou.
Que benzeu a nossa casa com a solenidade de um sacerdote e o amor de um amigo.
Que baptizou a nossa filha.
Que tanto fez por nós!
Que viria a nossa casa em breve, já tínhamos um Cartuxa à sua espera, vinho da sua terra natal, e que muito apreciava.
Não se esquecia de nenhuma data festiva e fazia questão de nos felicitar, sempre, com palavras, gestos, de amizade sincera e genuína.
Faltámos-lhe nós há um mês, e não lhe demos os parabéns como devíamos. Um pormenor irrelevante, motivado pela desorganização do quotidiano, mas que agora tem um sabor amargo.

Rezámos por ele, é certo, mas não é a mesma coisa. As palavras têm que ser ditas. Dizer às pessoas o quanto gostamos delas, o quanto agradecemos a bênção que é as suas vidas. Ficou isto por dizer, da nossa parte. Sabia, sem dúvida, mas menosprezámos a força do verbo.

Adormeço e acordo repetindo para mim mesma que nunca mais voltaremos ao Oratório para as missas com o Padre Guedes. Uma sensação tão estranha, que pede esta repetição mental, para me habituar à ideia de que não vamos ouvir mais a sua voz, que tenho tão presente, as suas graças, as suas prédicas acertadas. Temos ainda as suas mensagens nos nossos telemóveis, os seus mails. Era o nosso Padre Guedes, e nada disto faz sentido. Nada-disto-faz-sentido.



Há poucos dias, no 11º aniversário do meu irmão mais novo, sabendo da paixão pelo futebol, e em particular, pelo Benfica, ofereceu-lhe uma bola autografada por um dos grandes jogadores do clube.

Escusado será dizer que foi o melhor presente que o meu irmão poderia ter recebido naquele dia. Mas não o melhor daquele sacerdote. O melhor, para o meu irmão e para todos nós, foi mesmo o dom da sua vida e o amor que tinha pelo rebanho que lhe foi confiado. Obrigada, querido, queridíssimo, e muito amado Padre Guedes!

Peço a Deus Pai que não nos falte a Fé neste momento de dor e incompreensão. E à Mãe do Céu que o acolha no seu regaço terno, para que participe e goze das maravilhas da verdadeira Vida em Deus.

No ocaso da vida seremos julgados pelo amor. Deus é Amor e quem n'Ele viveu, n'Ele permanecerá. 

Disto não há dúvidas.

No nosso Casamento.